quinta-feira, 6 de março de 2014

Primeiros meses.

Sempre fui uma boa garota, sempre me importando com minhas notas, provas, reputação, corpo e principalmente meu sonho. Sempre me gabei por não ser mais uma daquelas bobas apaixonadas que faziam de tudo – quando eu digo tudo quero dizer tuuudo mesmo – para ficar com o cara.
 Se alguém me dissesse que eu teria desmanchado esse meu sonho por um idiota que nem mesmo era tão bonito ou legal assim, eu com certeza riria.                               Mas calma aí, eu não sou a primeira garota a ficar grávida com dezesseis anos, afinal o que isso tem de tão especial?  Dezesseis anos até já não é tão banal assim... Sexo hoje é tão essencial ou fácil quanto dar uma flor para alguém. Isso mesmo, sempre envolvendo alguém “dando” algo. No sentido literal, meus queridos.
Mas na real, só sabe quem passa por essa situação.
Sempre achei que se um dia eu ficasse grávida eu definitivamente sentiria. Poxa vida, mesmo que nos primeiros meses, já é um ser vivo. Então eu prontamente sabia que tinha algo ali.  Menstruação atrasada, mesmo que a mesma nunca fosse certa, dores nos seios e o aumento deles – a melhor parte na minha opinião -, cólicas sem o sangramento mensal e muitooooooooooooo sono.
Ocorreu-me então que eu precisava fazer um teste e me aliviar desse stress todo, ou na pior das hipóteses, piorar tudo.
 Se eu já não era mais virgem, minhas amigas também não seriam. Muito difícil se achar isso, caso vocês estejam preparando um ritual aí, mas mais difícil ainda são essas mesmas adolescentes nunca terem comprados testes de gravidez. Eu nunca tinha feito até então... Sempre usei pílula e camisinha, mas não somente isso me fizera estar bem preparada. Eu tinha minha mãe e nós sempre conversávamos. Nem sei o que seria de mim sem ela. Depois de vinte dias da minha primeira vez, eu logo contei, mesmo vendo que aquilo não a agradara. Mas ela não me repreendeu, nem disse para eu parar. Então quando minhas amigas me contavam a dúvidas delas sobre estarem ou não grávidas, eu dizia “Compra um teste!”
 Eu sei, fui péssima com elas, mas até então nunca precisara disso. Para mim tratava-se apenas de um alívio, uma solução simples e prática! Só então quando, aconselhada por mim mesma e uma estranha que conheci na rodoviária, decidi que precisava de uma ‘coisa’ dessas, foi que eu senti o desespero. Comprar um teste de gravidez deveria ser fácil. Se fosse, quem sabe as garotas não ficariam mais tão estressadas e nervosas quando sentiam que precisavam. A internet, é claro, sempre ajuda. Você pode saber os melhores, os preços – assim saberá quanto mais ou menos será o “sorvete” que você vai tomar com os amigos – e também como utilizar.
  Depois que você pesquisa na internet, tem um nome e o dinheiro, diga a si mesmo que você está simplesmente dando uma volta por aí e depois aja sem pensar! Entre rapidamente em uma farmácia, sorria – é sempre um sinal de que você está feliz e que não teme esconder nada – e peça logo de cara. Quando você ver, terá um teste nas mãos. Infelizmente isso se complica quando se habita em uma cidade pequena. Para isso, minhas queridas eu aconselho pedir ajuda para um melhor amigo, solteiro é claro, ou para uma mulher mais velha – mãe? – Mas se você quer fazer tudo sozinha como eu, a não ser que você vá nos próximos dias até a cidade grande mais perto ou a qualquer outro lugar onde não te conheçam, eu sugiro simplesmente coragem e é claro, aulas de atuação, pois até seu cachorro ficará sabendo.
 Ok, não sei se realmente existe a pior “parte”, mas se existir é escolher o momento e o dia para fazer o bendito teste.
E se der positivo? E se eu errar? Quantas tiras é positivo mesmo?
Ai meu Deus! Joguei a caixa fora junto com o manual!
Ew! Fiz xixi nos meus dedos!
Mas depois melhora, ou piora! Piora muito!
 Francamente eu gostaria de saber como é ver apenas uma tirinha ali ou um negativo, mas não sei... E provavelmente se for isso que der no de vocês, continuar lendo isso é pura perca de tempo... A não ser que vocês gostem de ver o sofrimento do próximo, suas malvadinhas!
Agora a questão é: Vida ou morte?
Na melhor das hipóteses, o positivo deu porque você fez errado, ou seus hormônios estão doidos e provavelmente tem algo de errado com sua genitália – mas hey, isso não seria a melhor hipótese, certo? Para mim seria, por enquanto.
Cara, fiz um daqueles testes bem simples, das tirinhas mesmo. E eficaz, de acordo com o blog de uma doida na internet.
No manual pedia que eu mergulhasse em minha urina o pedacinho de papel por um minuto. Normalmente ninguém gosta de esperar, mas eu queria muito que tivesse passado mais que cinco segundos para as duas tirinhas aparecerem. Toquei o papel no xixi e prontamente, quase como um daqueles tapas na cara do nada, elas apareceram. 
Minha mãe não estava em casa, então liguei rapidamente para minha melhor amiga e despejei tudo em cima dela, chorando é claro. 
No geral, as meninas demoram alguns dias para contar para as mães, mas eu sabia que ela iria me ajudar, me apoiar e talvez até resolver essa situação. E o que me deixa triste mesmo é saber que tem muitas garotas que não contam com isso, que escondem, que tentam abortar de maneiras extremas e sentem muito medo. Eu estava com medo, mas também sabia que contar á minha mãe provavelmente me aliviaria um pouco.
Ela chegou e no mesmo instante eu contei. 
Primeiro veio a incredulidade dela e depois ela me perguntou o que a gente ia fazer. 
Eu já não chorava mais, mas disse que iria abortar. Ela não aceitou de início, mas depois quando eu bati o pé ela acabou aceitando, mas ainda não estava certa. Minha mãe sempre foi do tipo que não força ninguém a fazer nada. Desde sempre se ela queria uma louça limpa, ela mesmo lavava. Então, se eu batesse o pé de que queria ser assim, ela simplesmente me apoiava. 
Eu ainda conversava com o pai, mas já estava completamente fora da relação, antes mesmo de saber da gravidez. Enjoei dele bem rápido. Enfim, contei para ele e ele permaneceu imparcial, disse que faria o que eu achasse melhor. Eu estava bem confusa, mas disse que queria que ele arrumasse uns remédios para abortar. Acreditem, é muito difícil de conseguir isso aqui no Brasil. Eu hoje em dia mesmo não tendo abortado, admito que se fosse fácil, assim como é em outros países, eu teria feito. Ir no médico, marcar a consulta, fazer o aborto seguro e fim. Mas achamos umas pílulas lá não muito confiáveis e muito caras. Depois ele achou umas bebidas caseiras lá, mas nada muito certo. Passaram-se uns dias e eu só ficava no meu quarto, procurando avidamente pela internet uma forma de aborto certa. Nem rezava mais. Mas Deus não desistiu de mim. Minha mãe rezou muito por mim, mesmo quando eu nem fazia questão mais. Queria morrer! Desejava tanto que quando saísse na rua fosse atropelada ou que viesse aquela hemorragia de um aborto espontâneo. 
Enfim eu desisti da ideia. Tinha medo de tentar abortar, não dar certo e acabar nascendo uma criança com má-formação ou algo do tipo. Esse medo veio para me avisar que Deus estava lá comigo. Eu fui voltando ao normal aos poucos. Ainda chorava a maior parte do tempo, mas estava começando a aceitar.
 Contei para o pai minha nova decisão e ele ficou feliz. Ou pelo menos, foi o que pareceu. Ele queria que eu fosse para lá, arrumava um apê do pai dele para gente, trabalharia e nós seriamos felizes. Mas eu não queria nada disso. Eu não gostava dele, não queria sair de perto da minha mãe, da minha família. Ele pareceu chateado, mas continuamos conversando e planejando, nada tão concreto é claro. Eu não queria ele por perto. Queria me afastar sabe, mas não tinha um porquê. Ele estava ali me ajudando, apoiando. 
O motivo veio em um dia eu futricando no facebook da minha irmã, muito amiga dele, vi a conversa dos dois. Rolei, rolei até achar algo que chamou minha atenção. 
Lá estava ele dizendo a ela para não contar para mim, por favor, mas não tinha como ele ser pai daquela criança e blábláblá. Foi péssimo. Sou pisciana, muito chorona, imagina grávida! Fiquei muito abalada, porque já tinha esclarecido aquilo para ele. 
Se ele não acreditava, por que ainda estava ali? Por que não tinha sumido? 
Bom, entrei no meu face e chamei ele. Confesso que fui grossa, mas disse que não queria ele por perto mais, que não queria vê-lo nunca mais. Discutimos muito pouco, mas ficou por isso mesmo até o dia de hoje.
 Não sinto falta dele. Sinto falta de gostar de alguém. Fico pensando, talvez se fosse outro cara, eu poderia ter gostado. Queria tanto que fosse um dos meus ex-namorados. Quero dizer, ele nem chegou ao menos ser meu namorado. Sinto falta da presença de um homem do meu lado, ou pelo menos de um homem realmente interessado em assumir o papel. Alguém que mesmo que não seja responsável, esteja se esforçando. Queria muito que meu filho tivesse um figura paterna. Sei que meu pai vai ser ótimo para ele, ainda mais se vier um menininho, mas também sei que no futuro, alguém para chamar de pai vai fazer falta. 
Ás vezes, secretamente, fico imaginado que até seria bom se o pai dele viesse atrás de conhecê-lo, se fazer presente. Mas também acho que prefiro assim... No fundo, no fundo eu deixo isso para Deus, porque ele é quem sabe o que nós realmente precisamos.

Se aceitar.

Eu amo escrever! As palavras sempre vieram tão rápidas quando eu decidia escreve-las... Agora são mais hesitantes, desencorajadas. Primeiro porque quase não vem outro assunto na cabeça a não ser o qual eu levanto todas as manhãs para encarar. Uma gravidez, na adolescência. Engraçado é que eu nunca fui muito adolescente, pelo menos não daquele tipo que se apaixona perdidamente por um cara e fica disposta a fazer de tudo para ele não te largar, ou morre de vontade de ser mãe. E ama crianças. Eu geralmente fico longe de qualquer pessoinha com menos de dez anos. Também sempre usei anticoncepcional e conversei com a minha mãe. Graças a Deus, temos uma relação bastante aberta e ela me aconselha em tudo. Minha primeira vez foi maravilhosa com um cara maravilhoso que me amava e tudo era muito bom. Só que eu como eu disse, eu não sou uma dessas românticas incorrigíveis e com nove meses de um namoro gostoso eu enjoei. E larguei. Depois disso eu deveria ter pelo menos dado um tempo e esperar entrar em um outro relacionamento para ter relações sexuais, mas não. Eu continuei me protegendo e transando. Deu certo, até o momento em que eu fui parar em uma cidade grande quase que por conta própria. Acontece que minha mãe estava muito doente e tivemos que deixar minha irmã e meu pai na cidade em que morávamos e ir tentar um recurso de saúde melhor. Escolhemos Goiânia e lá fomos nós... O começo foi meio difícil, mas enfim conseguimos. Minha mãe internou no hospital das clinicas, já muito doente e enfim descobrimos o câncer de sangue dela: mieloma múltiplo. Foi um choque. E lá estava eu, ficando na casa de apoio e no hospital sozinha. Ela estava muito fraca e por isso instável... As vezes nem me reconhecia. Tive que me assumir por conta própria. Não demorou muito eu conheci um cara, do qual prefiro não falar. Se não fosse dele uma parte do bebê que eu carrego comigo há cinco meses, nunca mais tocaria em seu nome. A questão é que eu gostava dele, demos um deslize e pronto, aconteceu. Não o culpa de forma alguma... Quando esse tipo de situação desconfortável acontece já não acho necessário procurar um culpado, não resolverá nada. Eu simplesmente não consigo mais colocá-lo em minha vida. É claro que isso tem um porque, mesmo que ás vezes eu diga que não, mas ele não foi uma cara muito legal. Mas isso fica para uma outra postagem.
O que me fez vir aqui e desabafar um pouco foi o fato de TER que me aceitar, aceitar a situação e encarar. Gostaria de dizer que estou enfrentando, mas eu sei que ainda não. E acho que escrever vai me ajudar e ajudar também as meninas e se existir os meninos que passam por isso. É isso, com o passar do tempo vou contando mais.