Eu amo escrever! As palavras sempre vieram tão rápidas quando eu decidia escreve-las... Agora são mais hesitantes, desencorajadas. Primeiro porque quase não vem outro assunto na cabeça a não ser o qual eu levanto todas as manhãs para encarar. Uma gravidez, na adolescência. Engraçado é que eu nunca fui muito adolescente, pelo menos não daquele tipo que se apaixona perdidamente por um cara e fica disposta a fazer de tudo para ele não te largar, ou morre de vontade de ser mãe. E ama crianças. Eu geralmente fico longe de qualquer pessoinha com menos de dez anos. Também sempre usei anticoncepcional e conversei com a minha mãe. Graças a Deus, temos uma relação bastante aberta e ela me aconselha em tudo. Minha primeira vez foi maravilhosa com um cara maravilhoso que me amava e tudo era muito bom. Só que eu como eu disse, eu não sou uma dessas românticas incorrigíveis e com nove meses de um namoro gostoso eu enjoei. E larguei. Depois disso eu deveria ter pelo menos dado um tempo e esperar entrar em um outro relacionamento para ter relações sexuais, mas não. Eu continuei me protegendo e transando. Deu certo, até o momento em que eu fui parar em uma cidade grande quase que por conta própria. Acontece que minha mãe estava muito doente e tivemos que deixar minha irmã e meu pai na cidade em que morávamos e ir tentar um recurso de saúde melhor. Escolhemos Goiânia e lá fomos nós... O começo foi meio difícil, mas enfim conseguimos. Minha mãe internou no hospital das clinicas, já muito doente e enfim descobrimos o câncer de sangue dela: mieloma múltiplo. Foi um choque. E lá estava eu, ficando na casa de apoio e no hospital sozinha. Ela estava muito fraca e por isso instável... As vezes nem me reconhecia. Tive que me assumir por conta própria. Não demorou muito eu conheci um cara, do qual prefiro não falar. Se não fosse dele uma parte do bebê que eu carrego comigo há cinco meses, nunca mais tocaria em seu nome. A questão é que eu gostava dele, demos um deslize e pronto, aconteceu. Não o culpa de forma alguma... Quando esse tipo de situação desconfortável acontece já não acho necessário procurar um culpado, não resolverá nada. Eu simplesmente não consigo mais colocá-lo em minha vida. É claro que isso tem um porque, mesmo que ás vezes eu diga que não, mas ele não foi uma cara muito legal. Mas isso fica para uma outra postagem.
O que me fez vir aqui e desabafar um pouco foi o fato de TER que me aceitar, aceitar a situação e encarar. Gostaria de dizer que estou enfrentando, mas eu sei que ainda não. E acho que escrever vai me ajudar e ajudar também as meninas e se existir os meninos que passam por isso. É isso, com o passar do tempo vou contando mais.
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